quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Por que musicalizar bebês?

Oi pessoal, como estão? Firmes e fortes?

Vou postar aqui um texto da competentíssima Leila Sugahara, que vocês também podem acessar no http://www.rededuc.com.br/page_35.html sobre Musicalização de Bebês. Vejo que a galera se perde bastante na hora de musicalizar os pequeninos, e isso é super normal, afinal como musicalizar quem mal sabe parar sentadinho?

Pra quem quer trabalhar com musicalização para bebês, sugiro que leiam atentamente o texto da Leila, busquem muita informação, leiam muito sobre desenvolvimento infantil... Aqui no blog vou fazer uma série especial sobre musicalização para bebês, com sugestões de música para cada momento da aula. Vamos lá:


POR QUE MUSICALIZAR BEBÊS?


(texto publicado na Revista Cover Teclado ano2/no.10- coluna musicalizando – Ed. HMP e na apostila “Musicalização para crianças de 2 a 6 anos” – 1ª. Ed., 1998 – Sugahara, Leila Yuri).

Dúvidas sobre o porquê da musicalização de bebês são uma constante. Como já descrevi anteriormente, os sons e o ritmo (ritmo é movimento) estão presentes na vida do ser humano antes mesmo do seu nascimento, através do corpo da mãe e de suas respectivas reações e interações. Mas é a partir do nascimento que se torna realmente importante estimular e educar as funções cerebrais. De acordo com Walter Howard, autor de "A música e a criança", educar significa despertar. E despertar nunca é um empreendimento precoce, sendo indispensável entregar-se a ela sistematicamente desde os primeiros anos de vida, a fim de que a criança, mais tarde, veja-a como uma tendência natural de seu ser. Howard realizou experiências com bebês onde os exercitavam movimentando-lhes as pernas, cantando ou falando ritmicamente, onde o objetivo era proporcionar alegria à criança. Ele variava os tempos e os timbres (pedindo à mãe, ao pai ou por assobios cantar uma mesma melodia), evitando assim, o perigo de adestrar a criança. Os exercícios com as pernas tiveram naturalmente por resultado, o aumento da destreza manual, e por conseguinte, crianças observadoras, rítmicas, falantes, mostrando todas as faculdades motoras e técnicas bem desenvolvidas.

Jean Piaget, psicólogo suíço, descobriu que a capacidade cognitiva (aquisição de conhecimento) é uma evolução em estágios, dos comportamentos mais primitivos até o nível adulto do raciocínio lógico. O raciocínio é uma característica da inteligência. Portanto, inteligência é a capacidade de raciocinar, organizar e propor soluções para as questões que vão sendo apresentadas com graus de dificuldade cada vez maiores. O bebê, quando nasce, já dispõe de estruturas mentais (formas de pensar), que apesar de rudimentares só precisam ser estimuladas para se desenvolverem.


Como estimular o seu bebê
(Esquema de desenvolvimento mental segundo Dra. Miriam Stoppard)

Recém-nascido

1º dia: escuta e permanece alerta.
3º dia: reage quando se fala com ele e dirige o olhar.
9º dia: os olhos acompanham o som.
14º dia: o bebê "reconhece"sua mãe.
18º dia: produz sons e volta a cabeça na direção dos sons que escuta.
24º dia: já possui um vocabulário de sons e a boca se torce ao ouvir a mãe.
1º mês: abre e fecha a boca, numa imitação da fala e irá adaptar o comportamento ao som da sua voz.

Aquieta-se quando você fala de forma a acalmá-lo e torna-se agitado se você usa tom ríspido ou fala alto demais. Converse e cante para ele, abrace-o e embale-o. Mostre as coisas perto do rosto para que ele enxergue. Fale em voz cantada e ritmada, entoe canções de ninar e ande com ele no colo, balançando-o devagar nos braços.

3 a 4 meses: começa a entender o próprio corpo, move os olhos e os dedos de acordo com a vontade, reage às conversas com vários acenos, sorrisos, movimentos de boca, barulhos e gritinhos. Realiza movimentos corporais.

Interprete canções infantis. Brinque com movimentos físicos: sacudidelas delicadas, flexões de joelho e de braço. Ofereça brinquedos de diferentes texturas, formas e tamanhos que produzam sons. Converse com ele.

5 a 6 meses: aumenta a concentração. Volta a cabeça na direção dos sons e começa a agitar os braços e as pernas, faz ruídos e outras vocalizações com a finalidade de atrair a atenção. Brinque de jogos como "Achou! " e "Mindinho e seu vizinho".

7 a 8 meses: o bebê começa a falar e vários sons reconhecíveis serão ouvidos. Começa a imitar coisas simples e antecipa repetições.

Apresente jogos rítmicos com palminhas e movimente seus pezinhos e perninhas ao som de músicas cantadas.

À partir de 8 meses: dê brinquedos que produzem sons e deixe brincar com colheres e copos de plástico. Conte histórias, leia para ele, cante, enfim, brinque bastante e demonstre alegria.

Vale um lembrete: apenas um aspecto do roteiro se aplica a todas as crianças indistintamente. É a sequência das etapas de desenvolvimento. O ritmo e a facilidade de aquisição de uma habilidade são individuais e particulares de cada criança e, portanto, todos os prazos e idades fornecidos devem ser encarados apenas como referências para orientação. Podendo ser um pouco antes ou um pouco depois das idades descritas.

O trabalho de musicalização para bebês em escolas de música, tem a sua importância no aspecto socializador, e por ser mais específico, falarei sobre isso em outra edição. Então: até a próxima!



MAS O QUE ACONTECE NAS AULAS DE MUSICALIZAÇÃO PARA BEBÊS, E POR QUE A PARTIR DE 8 MESES?
(baseado no trabalho de Josette Feres)

É a partir de 8 meses aproximadamente, que a criança consegue sentar sem apoio, mantendo a cabeça firme, realizando com facilidade as atividades propostas nas aulas. As aulas geralmente são em grupo (para estimular a sociabilização). A criança aprende por observação, imitação e experimentações. É sempre acompanhada por um adulto responsável (mãe, pai, avó, tia), pelo menos até completar um ano e seis meses a dois anos, que participa da aula, junto com o bebê. O ambiente é sempre alegre, espontâneo e descontraído. A duração média é de 30 minutos. O grupo senta-se em círculo no chão, onde são realizadas as atividades. Trabalha-se nessa fase, principalmente a percepção sensorial e motora, a linguagem gestual, a construção do esquema corporal, a sociabilização, a movimentação natural ( andar, correr, saltar), a formação de repertório, a disciplina pessoal, a coordenação motora e posteriormente e consequentemente, a construção de conceitos de propriedades do som como forte e fraco, rápido e lento, timbres, noção de pulsação, grave e agudo.

Como? Através da manipulação e exploração de objetos que produzam ruído, acompanhar uma música instrumental de boa qualidade, canções que estimulem a linguagem falada através de gestos, canções e danças que estimulem movimentos de marcha, saltos, palmas, brincadeiras de roda e audição de diferentes gêneros musicais(ritmos).

Exemplo de uma aula:

1. Cumprimento cantado: Bom dia, crianças, bom dia, ...(o nome do aluno), cantado com intervalo de 3a. menor ( sol-mi );

2. Oferecer objetos que produzam ruído como tubos de filme, potes de yogurte, colheres, para livre exploração;

3. Uma canção como "bate,bate o ferreiro" para desenvolver a noção de pulsação, onde os bebês acompanham a música livremente, com palmas ou com os objetos oferecidos na atividade anterior;

4. Uma canção que estimule a movimentação corporal, como: "Serra serra serrador";

5. Uma canção que estimule a linguagem oral: "Uma bola, la, la";

6. Uma canção que estimule a linguagem gestual: "Cai, cai, balão";

7. Marchas, cirandas e brincadeiras musicais: "Marcha soldado", "Ciranda, cirandinha";

8. Música instrumental para ser acompanhada livremente por instrumentos de percussão;

9. Relaxamento: canções de ninar;

10. Canção de despedida.

Além de recursos visuais como: cartazes e brinquedos ( bonecas de pano, bolas, cavalinhos de pau, bichos de pelúcia).


(texto publicado na Revista Cover Teclado ano2/no.10- coluna musicalizando – Ed. HMP e na apostila “Musicalização para crianças de 2 a 6 anos” – 1ª. Ed., 1998 – Sugahara, Leila Yuri).