quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

COMO MUSICALIZAR?

Olá queridos colegas. Apresento-lhes um texto que, quando li, achei essencial para quem dá aulas de instrumento e quer dar aulas de Musicalização, ou até mesmo para o professor regular que precisa ou quer trabalhar o conteúdo musical em sua sala de aula ou escola. Tem também uma reflexão muito séria sobre os caminhos da educação musical no ensino regular.

Por favor, leiam com carinho e esse tema será melhor desenvolvido em outros posts aqui no blog. A matéria não está na íntegra e todos os grifos são meus, são partes do texto que considero muito importantes. No final vocês verão a fonte.


A Educação Musical nas Escolas Particulares
por Cristal Velloso

(...)
Muito tem se falado e muitos têm lutado pelo retorno da Educação Musical às escolas.
(...) Escolas particulares oferecem a Educação Musical em suas grades como diferencial competitivo e divulgam "Coral Infantil, Flauta Doce e Violão Popular" em faixas, junto com Xadrez, Natação, Inglês...
Não que essas disciplinas sejam menores, mas são tão diferentes em sua natureza que acabam sendo apenas mais um ingrediente na salada que se oferece aos pais, os quais tentam a todo custo oferecer aos filhos uma educação de qualidade que nem sempre pode ser medida por eles, alunos ou coordenadores pedagógicos por total falta de conhecimento. Reféns da ignorância quanto aos processos que norteiam uma Educação Musical de qualidade.


Comecemos com a pré-escola

As crianças passam seus primeiros seis anos de vida nessas escolas e saem pré-alfabetizadas, prontas para ler e escrever, a rigor isso também deveria acontecer com a Educação Musical. Deveriam ser musicalizadas, prontas para inciarem seu processo de alfabetização musical.

Por que isso não acontece?

Exige-se muito pouco do professor que trabalha Música com essas crianças. Normalmente compram o tal "kit de bandinha rítmica", uns CDs de artistas da mídia, escolhe-se um repertório e inicia-se assim a Educação Musical dos pequeninos sem um norte. O norte é simples: Propriedades do Som. A questão é a maneira como trabalhar esse conteúdo. Não errará quem trabalhar através de vivências respeitando a máxima "Repetir para fixar e variar para não enjoar". A criança tem que entender conceitos como grave, agudo, longo, curto, forte, fraco e timbres. Isso é o mínimo. A Educação Musical na pré-escola deve garantir que o aluno esteja livre de todos os entraves que possam impedir que ele compreenda a linguagem musical como um todo.

No ensino fundamental

Muitos propõem trabalhos com flautas doce. Compram suas flautas, aprendem a tocar apenas por imitação de um modelo (professor) que quase sempre também é iniciante no instrumento. O resultado é um mar de apitos desafinados, professor perdido, alunos desmotivados e a flauta doce relegada e julgada como instrumento de segunda categoria. Um desperdício de energia e uma fábrica de preconceitos com relação a um instrumento importantíssimo para a Educação Musical e a expressão artística!
A flauta doce tem uma vocação natural para ajudar no processo de aprendizagem da leitura musical. É um instrumento "barato" (os de resina são laváveis) que possibilita um contato tangível com os conceitos necessários para a leitura de uma partitura. (...) O aluno que toca flauta doce pode migrar sem problemas para outros instrumentos de sopro (...).
Após anos estudando Música na escola, as crianças tem o direito de terminar o ensino fundamental, entendendo uma partitura, tocando a flauta doce ou outro instrumento, cantando afinado com um mínimo de técnica vocal e, principalmente, valorizando a Música como expressão artística, frequentando as salas de concertos e shows. De brinde, terão trabalhado em si a capacidade de ouvir, de se expressar e de criar.

Se tudo isso não for garantido pela escola que oferece Música em seu currículo, desconfie e procure saber mais!

Fonte: NoTom - Revista da CAEM - Central de Apoio às Escolas de Música - Ano 4 nº 20.



Penso que esse texto foi um pouco cruel com os professores de música. Obviamente existem muitos professores de música que não tem habilidade suficiente para lidar com uma turma de alunos, principalmente no ensino de flauta doce, e por isso o texto responsabilizou quase que totalmente o professor pela má qualidade e problemas no ensino musical dentro da escola.
A questão é: onde fica a responsabilidade da escola, e dos pais em incentivar o ensino musical? Já trabalhei em uma escola onde as crianças nem estavam aí com a flauta, esqueciam, os pais não gostavam que eu mandasse bilhete... Como o professor trabalha quando metade dos alunos da sala esquece o material de música (cadernos, a própria flauta) e a escola não ajuda a cobrar essa responsabilidade, ou mesmo quando os próprios pais não gostam de ter essa responsabilidade cobrada? É fácil acusar somente o professor. O que algumas pessoas se esquecem é que ele não é a escola toda, é apenas uma parte dela.

O que vocês acham? Como vocês trabalham e quais os problemas que enfrentam?